Nada
O que aconteceu para que nada acontecesse.
Não sei o que escrever. Quero arremessar palavras na tela e ver se, em algum momento, essas sensações sem nome fazem algum sentido, se alguma palavra mágica é capaz de diminuir a angústia, que, como uma coisa sem matéria porém sólida, está entalada na minha garganta, me sufocando.
Parece até que estou em estado catatônico. Não consigo olhar para minha situação, tampouco confrontar esse sentimento, nem lidar com a pilha de coisas que está em sua origem.
Uma avalanche de demandas, burocracias, contas, tratamentos médicos, maternidade, decisões na qual fui soterrada, vivendo desde então aflita com a possibilidade de que haja outro deslize, fazendo com que eu afunde mais, até o ponto em que sair seja impossível.
Sou uma máquina que parou de funcionar.
Um avião despencando do céu, porque o combustível acabou antes de chegar ao destino.
Os planos falharam, as ideias deram errado, as saídas se fecharam, nada mais restou.
Um soldado no front, sozinho e sem munição.
Sinto ódio da minha vulnerabilidade, ódio por ser fraca, por ser ridícula, por ter acreditado, por tantas escolhas erradas, ódio por ainda estar viva, ódio por ter me tornado esse nada.
Eu sou nada, e é isso que me convém.
Esse texto sobre o nada está carregado de ódio. Não é um pedido para me ensinar autoestima, amor próprio ou qualquer coisa que não seja visceral e primitiva. Dispenso aprendizados castradores e mea culpa.
Mar revolto
Eu me odeio hoje mais do que nunca.
Tanto que não consigo mais sentir pena de mim mesma.
Eu me odeio quando acordo às 4h da manhã e me lembro como vim parar neste lugar.
Eu me odeio quando estou cansada e tenho de me levantar.
Eu me odeio quando meu corpo dói e eu continuo porque não posso parar.
Eu me odeio quando paro e então tenho de pagar o preço de tê-lo feito.
Eu me odeio quando vejo o nada que me tornei.
Eu me odeio quando lembro cada passo errado e cada vez que tive de refazer o caminho pisando nas minhas próprias pegadas.
Eu me odiava quando engordei de tristeza e todo mundo comentava como era lindo meu corpo antes.
Eu me odeio agora, que emagreci mais do que planejei e todos me perguntam se estou com alguma doença.
Eu me odeio quando fico nua diante do espelho e vejo o quanto estou velha.
Eu odeio ver as minhas mãos.
Eu me odeio pela minha covardia e por todos os medos que me paralisam, porque não possuo mais nenhuma ficha para apostar e cada erro será cortado na minha carne e da minha filha.
Mas todos falam de amor e insistem em me dizer que tenho tudo para conquistar uma vida melhor. Oráculos dizem que não era este o meu destino. Ao ouvir essas palavras, sinto-me num paredão, sendo fuzilada com fórmulas vazias e elogios recheados de julgamentos e cobranças.
Eu também os odeio.
Meu coração bate como se estivesse cravejado de alfinetes, enquanto minha alma afunda em angústia, presa em areia movediça: quanto mais me esforço para sair, mais presa fico, mais me afundo.
Todavia não consigo me desesperar e nem mesmo sentir tristeza. Tudo que sinto é raiva, mesmo quando submetida ao tormento.
Tudo parece estar morto, pois dentro de mim só há ira.
Um oceano de ódio e dor, cenário de uma constante tempestade, ondas gigantes que engolem tudo, raios fulminam o horizonte e uma chuva de enxofre cai de um céu sem estrelas.
Eu choro de ódio, eu me machuco de ódio, meu silêncio é ódio, eu grito de ódio com a cara enfiada no travesseiro.
Fraturas
Todos os dias, ao despertar, sinto como se meus ossos estivessem partidos. Prestes a se quebrarem, ainda íntegros por um fio.
A sensação ao me levantar é de que eles se quebrarão, deixando-me despedaçada, estatelada no chão, uma ruína feita dos frangalhos do que em algum momento deveria ter sido uma pessoa.
Todos os dias, olho no espelho e vejo minha imagem escalafobética: cabelos despenteados, feições cansadas, meu corpo envelhecido e cheio de marcas, vestindo a mesma roupa há quase uma semana, o desânimo e o desgosto de estar viva.
Todos os dias, eu machuco meu corpo de algum modo. Sou desatenta e desastrada, por isso esbarro em objetos, me corto no manejo descuidado das coisas, na desatenção ao realizar tarefas como cozinhar, tropeço nas calçadas, escorrego nos pisos lisos e no gelo produzido pela neve, queimo os dedos e os braços em superfícies quentes ou ao tirar um bolo do forno. Meus dedos estão sempre feridos seja porque eu fico detonando minhas unhas até elas sangrarem, seja porque, vez ou outra, esqueço de tirá-los ao fechar gavetas.
Em alguns dias porém, eu os deixo lá de propósito, como uma barganha: trocar a dor da alma por uma dor física.
Nessas horas, os outros se compadecem ao invés de me julgarem. A dor física é legítima, fora de questão. Sinto-me uma criança desesperada por atenção, e me recomponho.
Especulações inúteis
Poderia ter sido diferente, mas será que teria dado certo? Ou toda essa ideia de que tudo poderia ter dado certo não passa de mais uma fantasia projetada pela dor que me corrói?
E o que dói mais: ter fracassado apesar dos talentos ou ter fracassado por não ter talentos? A injustiça ou a frustração? Poder ter realizado sonhos e não conseguir ou não estar à altura dos meus sonhos?
Eu não sei responder a essas perguntas, mas pessoalmente prefiro a constatação frustrante de que não possuo talento ou dom algum do que a sensação de que fui injustiçada e sabotada. É menos doloroso abandonar uma ideia errada sobre si do que um sonho possível porém não realizado por conta de uma injustiça.
A decepção e a frustração que a acompanha geram tristeza, desalento, vergonha. A iniquidade, por sua vez, gera paixões tristes, produz tormento, angústia e revolta.
Minha vida poderia ter sido diferente? Poderia ter sido pior? Seria eu, ao contrário do que imagino, uma abençoada, já que poderia ser pior do que isso? Sou uma pessoa tão horrível que isso ainda é pouco perto da minha vileza. Que a vida me deu uma chance de sofrer para me tornar menos horrível, mas estou me tornando mais horrível e, ainda por cima, ingrata?
A vida é um cassino e os deuses, se existem, são gângsters.
Silêncio
O vazio é mudez e surdez, pois ele é como um vácuo, onde nenhum som se propaga. Ninguém me ouve, tampouco eu escuto coisa alguma.
“Quem fala muito em suicidar-se, nunca o faz. O verdadeiro suicida não fala que vai se matar.” E assim as pessoas se demitem da culpa, afinal elas não podiam fazer nada, pois o suicida não fala e ninguém pode ler o que se passa na cabeça de uma pessoa.
Ninguém escuta, mas a culpa é do outro, que não fala o que vai fazer. Porém, se o outro fala, é encenação, blefe, pois, se fosse mesmo fazer, não falaria.
Com o tempo, aprendi a calar, mesmo quando alguém pode me ouvir. Não tenho vontade nem ânimo para dizer o que está acontecendo, contar minhas angústias e dividir minhas aflições. Falar é reviver a experiência narrada. Em razão disso, falar sobre o que aconteceu e como me sinto gera angústia e traz à tona coisas que prefiro esquecer.
Por tudo isso, optei por falar coisas que não quebrem meu silêncio.
Onde estou, a surdez é pior que a mudez. Ficar calada está longe de ser um sacrifício: ninguém me ouve e eu não quero falar com ninguém. Já a surdez é uma benção quando estamos cercados de idiotas, porém uma maldição para quem sempre encontrou na música refúgio e alegria.
Desde criança, eu escutava música todo o tempo, sempre com fones de ouvido, dançando minhas danças primitivas, celebrando a vida, imaginando como seria o momento em que as promessas se cumpririam e eu não teria mais medo, pois o futuro não seria um eco do passado.
Para mim, a música é fundamental para dar sentido à existência, para suportar o caos. Um fio condutor de emoções profundas, uma porta para os sonhos, um refúgio para cuidar da dor, tornando a vida suportável e verdadeira. Havia fé em meu coração, que ainda era capaz de crer e de sentir alegria, apesar de tudo.
Ultimamente, a música tem provocado em mim medo e angústia. Sendo a mais alta expressão da vontade de viver, receio o que pode acontecer se uma canção tocar minha alma, despertando emoções e criando sonhos, me tornando vulnerável. Por isso, a música tornou-se perigosa.
O silêncio tornou-se o meu lugar seguro: uma prisão.
Oscilações
Eu possuía gostos diferentes dos que possuo hoje.
Antes dos 30 anos, frases cafonas da Clarice Lispector povoavam minha mente, assim como a convicção de que eu iria realizar coisas belas e significativas, oferecendo ao mundo ideias novas.
Ao gosto de outrora, chamo de breguice naïve, algo que tem cura. A convicção estúpida, descobri mais tarde, chama-se mania bipolar.
Em um dos extremos, bipolares são maníacos, e se sentem capazes de realizar tudo. Mentecaptos, que creem possuir qualidades extraordinárias. Que superestimam suas qualidades. Sem pés no chão e com a cabeça nas nuvens, toda percepção sobre si é distorcida por essa megalomania que se instala subjugando a razão.
Com objetivos irrealistas e acreditando em capacidades inexistentes, o fim de toda fase de mania é a queda livre que conduz à depressão. A normalização dos pensamentos e estabilização das emoções pode demorar muito para acontecer, meses e até anos. Às vezes, a normalidade pode durar muito pouco, parecendo mais um intervalo entre os dois estados extremos.
Nos loucos, é um desafio separar o que é personalidade do que é distúrbio.
Antes, eu acreditava que tinha apenas depressão. Foi preciso tempo e paciência para que eu reconhecesse os padrões de mania e aprendesse que estar maníaca é diferente de estar alegre.
Quando finalmente compreendi que tenho uma condição incurável e crônica, que, fora de controle, inviabiliza minha vida, constatei que posso tentar controlar circunstâncias que funcionam como gatilho e alimentam minha doença, exceto um tipo de situação: as dificuldades ou problemas que não consigo resolver sozinha, que terminam gerando instabilidade, ansiedade e insegurança.
Pois qualquer coisa que eu não puder resolver sozinha é um problema sem solução, que se converte assim em um tormento. Nunca contei com ninguém além de mim mesma. Logo, o que não posso resolver será um limite intransponível, que produzirá impactos irremediáveis no rumo da minha vida.
Isso não é fruto da doença, não é uma criação da minha mente perturbada, não é uma escolha burra e teimosa, mas sim um beco sem saída. Eu não vivo, eu sobrevivo, e isso afeta minha percepção, meu humor e meus sentimentos, me arremessando numa alternância crônica entre dois estados emocionais opostos.
Nenhuma mente se mantém sã quando obrigada a viver exclusivamente sob a égide da realidade absoluta.
Aos poucos então, entendi que nada aconteceria: nenhuma salvação, nenhuma vitória, nenhuma redenção.
Nada aconteceu. E eu virei esse nada.
Hoje, a normalidade possível é mantida às custas de remédios para dormir, remédios para acordar, remédios para anestesiar tristezas, remédios para barrar euforias, remédios para concentração, remédios para acalmar as pernas, remédios para ter energia, remédios para conter crises de pânico, remédios para ansiedade e remédios para tentar combater os efeitos colaterais dos outros remédios.
Só que nenhum remédio pode me salvar de mim mesma, nem das minhas circunstâncias.
Sensações
Sinto fome, mas não tenho apetite. Tenho sono, mas não adormeço. Quero viver, mas não suporto minha vida. Posso trazer dezenas de sensações e ainda assim poucos conseguirão entender que depressão e loucura bipolar não são uma questão de querer morrer ou falta de vontade de viver.
Todos os meus risos são de mentira ou desespero, todas as piadas são disfarces e contém um pedido de socorro, todas as minhas expressões e gestos são máscaras. Eu converso, mas não estou presente, é apenas um piloto automático e se limita ao necessário para a socialização. Mensagens de texto não lidas se acumulam, montes de cartas com os envelopes intactos repousam sobre minha escrivaninha.
Há vontade em algum lugar dentro de mim, entretanto não há força para que essa vontade se mova e possa produzir ações. A tristeza é anestésica e paralisante, esgota a vitalidade e deixa apenas uma indiferença suicida em seu lugar.
Sinto minha alma petrificada.
Meu coração bate com esforço, às vezes saindo do ritmo, palpitando como se estivesse ancorado nas trevas, deixando-me sem ar. Nessas horas, minhas mãos tremem e eu sinto muito frio. Minhas pernas ficam cada vez mais fracas, incapazes de sustentar o peso de estar viva: preciso deitar, preciso apagar por algumas horas, uma fraqueza tomou conta de mim, e eu me sinto cansada, não porque me exercitei em excesso, mas porque meu cérebro parece estar dissolvendo num caldeirão fervente de sentimentos ruins e pensamentos devastadores. Preciso desligá-lo, preciso adormecer, antes que seja tarde e eu faça algo brutal e irreversível comigo mesma.
Empatia
Todo mundo tem problemas, todo mundo tem tristezas, e há gente que passou por traumas piores e mesmo assim não sucumbiu, não se conformou no lugar de vítima. Gente que deu a volta por cima. Gente com garra, guerreira, persistente, que luta, que não se esconde atrás de desculpas. Gente que é maior do que aquilo que fizeram contra si. Gente que não se deixou definir pelo outro. Gente que quer. Gente foda.
Toda pergunta bem intencionada sobre como eu estou conduz a conversa invariavelmente ao momento em que meu interlocutor despeja em mim variações do infame discurso acima.
Esse discurso bem intencionado, que pretende ser um “banho de realidade”, não é produto da falta de empatia, mas sim um limite ontológico. Quem não teve a alma devorada por uma doença mental jamais poderá imaginar saber o que significa isso, sendo-lhe impossível se colocar no lugar do outro.
A propósito, esse exercício de se colocar no lugar do outro é um fiasco, porque, quando você se coloca no lugar do outro, você ainda é você mesmo e vai julgar a partir da sua perspectiva, medindo o outro com a sua régua, o que é pior do que não conseguir se colocar na mesma posição de alguém e sentir o que aquela pessoa sente.
Ninguém pode sentir o que o outro sente, tampouco como o outro se sente.
Ninguém pode, por empatia, sentir a espiral confusa de sentimentos na qual a alma se perde, quando o monstro faz uma visita.
A empatia não tem o poder de fazer alguém sentir o que um adicto sente durante a abstinência.
Não há quaisquer mecanismos de empatia que possibilitem sentir o mesmo que sente alguém que esvaziou-se até virar um nada.
Por isso, quando me perguntam se estou bem, eu respondo: “tudo”.
Bastarda
O ódio, diferente do amor, não precisa ser nutrido. É como capim, que cresce até num terreno baldio, sobrevivendo às intempéries, sem água, sem adubo, sem qualquer cuidado.
Meu nascimento foi um ato fúnebre. Ao sair do ventre materno, não chorei, não abri os olhos. Cheguei ao mundo já morta, sem vontade nenhuma de viver. Precisei levar uns tapas e ser reanimada para dar o tal sopro da vida.
Foi com espanto e alívio que descobri que vim de lugar nenhum. Não faço ideia de quem me cuspiu neste mundo, e isso também não importa. O que importa é que, ao invés de me tacarem numa lata de lixo, me entregaram a uma mulher que queria um bebê para tentar salvar seu relacionamento falido e, de quebra, fazer ciúmes na filha dela, que tinha 19 anos e dava muito trabalho. Seu objetivo era provocar medo na filha, mostrando-lhe que poderia arranjar ocupação maternal em outro ser.
Ambos os tiros saíram pela culatra: a relação com o homem dela foi pro espaço e sua filha engravidou menos de um mês após minha chegada, dando-lhe uma neta. Com isso, voltou a ocupar sua posição privilegiada, agora acompanhada de sua versão mirim.
O preço que paguei pela minha incompetência foi irônico. Custou-me a vida, uma vida que eu sequer quis, na qual já cheguei morta. Talvez por isso eu veja minha presença no mundo como uma punição: fui condenada a cumprir uma pena de vida.
Se tivesse sido sentenciada à pena de morte, eu viveria algum tempo presa no corredor da morte (que poderia ser o útero materno, numa situação ideal) até o momento da execução, um ato de minutos que poria fim à minha vida (o parto, nessa situação ideal). Porém, sendo uma pena de vida, o castigo consiste em viver por décadas o que um condenado à morte sente nos minutos finais que antecedem à execução da pena. A aflição esgarçada no tempo, ecoando a dor da primeira respiração, reproduzindo o choro primal em centenas de prantos ao longo da vida.
Sou filha do ódio, fruto do recalque de uma fêmea rejeitada e do ressentimento de uma mãe em relação ao comportamento de sua filha. Imprestável, tive de retribuir o favor de terem me trazido para aquela casa. Como um gato de armazém, fui adotada para ser útil, seja cumprir um papel, seja realizar uma função. Por isso, eu deveria ser castrada, dócil e eficiente. Viver para agradecer e compensar os transtornos da minha presença bastarda.
Mas eu sou ordinária. Eu sou puta, selvagem e imprestável. Todo castigo é pouco para uma filha ingrata.
Domingo seria aniversário da minha Mommie Dearest. Durante anos, acreditei que sentiria sua morte e sofreria com sua ausência, mas, em lugar de saudade e tristeza, sinto raiva. Ela não me faz falta, pois sua ausência é menos danosa emocionalmente do que sua presença. Ela foi sempre mais algoz do que mãe, me impondo uma penúria existencial incurável. Fez questão de ser uma narcisista cruel até no leito de morte, assegurando-se de que ainda me faria mal depois do seu último suspiro, que foi dado no mesmo hospital onde eu dei o meu primeiro, conectando sua morte ao meu nascimento fúnebre.
Sequer sinto que ela morreu, pois sua crueldade deixou uma ferida que nunca cicatriza. Esta ferida é a presença dela em minha vida, portanto, de certa maneira, ela realmente não morreu. Como ela nunca foi um esteio, nunca me deu segurança nem amparo, e se demitiu da maternagem, que é o exercício amoroso do sacro ofício de cuidar de alguém vida afora, eu não perdi uma mãe. Não posso perder o que nunca tive. Ela nunca foi minha mãe, e sim a pessoa que me criou.
A Mamãezinha Querida não me deu a vida, apenas pulsão de morte, esse desejo de morrer por não conseguir viver. Ela me ensinou todo ódio que sinto por mim mesma, um ódio forjado ainda no berço. Graças a ela, Selbsthass, o ódio por si, foi o meu primeiro amor. Graças ao que ela me ensinou, ser nada é tudo que consegui, ser nada é o que me convém.
Sobre as imagens que ilustram este texto | The Helga Pictures
A modelo retratada nas pinturas colocadas aqui chama-se Helga Testorf. Ela era vizinha do pintor Andrew Wyeth em Chadds Ford (Pensilvânia) e foi tema de quase 250 obras, entre pinturas e desenhos, criadas secretamente ao longo de 15 anos. A coleção, conhecida como “The Helga Pictures”, foi divulgada publicamente em 1986 e despertou grande interesse da mídia. As obras mostram Helga em várias poses, tanto vestida quanto nua, e exploram temas como vulnerabilidade e intimidade.
Wyeth utilizou técnicas de têmpera, aquarela e pincel seco para pintar esses retratos. Ao explicar a série, disse: “A diferença entre mim e muitos pintores é que eu preciso ter um contato pessoal com minhas modelos. Eu preciso me apaixonar. Ficar encantado. Foi o que aconteceu quando vi Helga.” Ele descreveu sua atração por “todas as suas qualidades alemãs, seu andar forte e determinado, aquele casaco Loden, os cabelos loiros trançados”.













Eita 😶😶😶